Humberto Oliveira Ribeiro
A sociedade contemporânea está fortemente marcada pelo processo de globalização e impactada pela presença das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Nessa conjuntura, as várias formas de organização social expressam algum tipo de relação com os recursos tecnológicos, podendo-se perceber os impactos causados por estes recursos no próprio sistema educacional, o qual também é impelido pelas tecnologias e pelos avanços que elas proporcionam.
Devemos então refletir sobre o impacto das tecnologias na sociedade contemporânea, especialmente no contexto educacional, por se entender que a educação também está sujeita às mudanças vivenciadas pela sociedade e seus avanços tecnológicos.
Faz-se importante não termos uma visão negativista ou ameaçadora do avanço tecnológico, tampouco devemos pensar nas “novas tecnologias” como algo realmente “novo”, considerando que se torna cada vez mais difícil classificar, na área tecnológica, o que verdadeiramente é “novo” ou “velho”, pela velocidade com que esses recursos evoluem.
Também não se pode negar que o contexto educacional já vem recebendo as influências desses avanços tecnológicos já há algum tempo, com a presença e o uso de recursos como o computador para a aquisição e produção de textos e hipertextos através da internet.
Compreender que o processo educacional não está desassociado do processo social é entender que dominar os conhecimentos e recursos tecnológicos é também saber se posicionar de maneira crítica diante de todo o conhecimento produzido pelo ser humano.
Atualmente, é bem significativa a presença das TIC no dia-a-dia das pessoas. A difusão de aparelhos como televisão, rádio, telefone e DVD alcançam todas as camadas sociais. Mesmo o computador já atinge um significativo percentual das famílias brasileiras. Já se torna impossível negar as transformações que a sociedade tem sofrido em decorrência dos avanços tecnológicos.
O sistema educacional também não pode negar essas modificações. Mas a inserção dos recursos tecnológicos na educação acontece, principalmente, pela expansão dos mercados consumidores, bem como pela necessidade dos alunos que convivem com esses recursos.
Em uma sociedade com forte influência da globalização não é concebível pensar uma educação moldada por uma sociedade tradicional. É imprescindível nos conscientizarmos de que as mudanças sociais ocorridas atingem também o papel da escola e do professor, exigindo mudanças dos mesmos. Faz-se necessária, então, uma nova escola, adequada às novas demandas da sociedade e seus indivíduos.
Para tanto, precisa-se de novas modalidades de ensino, pois, como afirma Aragão (2009):
Os avanços das tecnologias da informação e comunicação denominadas neste contexto de contemporâneas vêm possibilitando novas compreensões sobre as possibilidades de ensinar e aprender, baseadas em recursos que ligam, conectam e produzem relações entre os sujeitos.
Essa postura reflete o que se busca hoje em vários cursos superiores. Não é mais possível se manter alheio às discussões referentes aos avanços tecnológicos e o envolvimento destes com os mais diversos ambientes e, “(...) Nesse sentido, a Educação a Distância (EaD) vem se tornando uma discussão fundamental para se refletir a educação numa sociedade cada vez mais interconectada por redes tecnológicas” (Aragão, 2009).
O saber tecnológico e suas produções vêm tecendo a vida cotidiana dos indivíduos que buscam uma evolução profissional e vivenciam hoje as influências dos avanços tecnológicos. O desenvolvimento intenso e frenético das TIC, aliado à necessidade de qualificação de mão-de-obra, nos leva a uma reflexão profunda em relação ao redimensionamento do papel da educação na sociedade atual, nos levando a discutir os reflexos que as TIC produzem na educação como instituição formal de transmissão do conhecimento.
Com o crescente número de cursos superiores no Brasil, “A EaD vem sendo desenvolvida para atender a demandas diversificadas da agenda no novo espaço/tempo” (Aragão 2009). Sendo este,
(...) o principal desafio e trunfo para a expansão da EaD, entendida como um processo educativo que envolve dierentes meios de comunicação capazes de ultrapassar os limites de tempo e espaço e permitir a interação dos sujeitos com as diversas fontes de informação. (Aragão, 2009)
Situação em que,
(...) o aluno deixa de ser um receptor passivo e se torna responsável por sua aprendizagem, com direito a trabalhar num ritmo individualizado, sem perder, no entanto, a possibilidade de interagir com seus pares e com o professor. Este deixa de ser o dono do saber e o controlador da aprendizagem, para ser um orientador que estimula a curiosidade, o debate e a interação com os participantes do processo. (idem)
Assim, a EaD tem se tornado uma modalidade de educação revestida de potencialidades, por se caracterizar como um processo de mediação do ensino e da aprendizagem que se utiliza dos meios tecnológicos de comunicação e informação para permitir a estudantes e professores o desenvolvimento de atividades educativas em lugares e tempos diferentes, conforme o Art. 1° do Decreto n° 5.622/2005.
Mas este é ainda um conceito amplo acerca da educação à distância, uma vez que esta englobar os cursos por correspondência e, segundo Moran (apud Aragão, 2009) “pode-se definir educação online como o conjunto de ações de ensino/aprendizagem desenvolvidas por meios telemáticos, como a internet, a videoconferência e a teleconferência”.
A educação online é possível graças aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), que utilizam as comunidades virtuais para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem na internet, através de ferramentas como fóruns, blogs, chats e correios eletrônicos (e-mails), dentre outras.
Sendo assim, vemos hoje uma “mercantilização” dos cursos superiores à distância que utilizam, principalmente, a educação online, através dos AVA, disponibilizados na Internet, para atenderem e atingirem um número crescente de indivíduos que, por uma exigência do mercado de trabalho e dos avanços tecnológicos, buscam a EaD para alcançar a almejada qualificação profissional.
Referências Bibliográficas
ARAGÃO, Claudia et al. Comunidades Virtuais de Aprendizagem. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia, 2009.
KENSKI, Vani Moreira. Das salas de aula aos ambientes virtuais de Aprendizagem. In: http://www.unebead.adm.br/moodlecv/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=82
PRIMO, Alex Fernando Teixeira. A emergência das comunidades virtuais. In: http://www.unebead.adm.br/moodlecv/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=77
SEVERIANO, Alan. Cresce o número de curso superior a distância. In: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1103600-10406,00-CRESCE+O+NUMERO+DE+CURSO+SUPERIOR+A+DISTANCIA.html
SILVA, Marta Enéas da. Os cursos de licenciatura em matemática ante o impacto dos avanços tecnológicos :o caso da UNEB (Dissertação de Mestrado). Senhor do Bonfim, Brasil: Universidade do Estado da Bahia, 2004.
SIQUEIRA, Holgonsi Soares Gonçalves. SOCIEDADE EM REDE: conexões e desconexões. In: http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/sociedaderede.html