Adagilson Silva Sena
Alcione Costa da Silva
Humberto Oliveira Ribeiro
Na sociedade contemporânea temos visto um crescimento acelerado do que chamamos de “software livre”. Este tipo de programa tem chamado a atenção dos usuários e amantes das tecnologias da informação e comunicação (TIC) pelo fato de serem mais seguros, mais estáveis e mais baratos.
O Governo Federal, bem como muitos governos estaduais e municipais, já estão migrando seus sistemas de software proprietário[1] para software livre, o que também tem alcançado a área educacional. Mas, afinal, o que é software livre?
Conceito de Software Livre
Segundo a Wikipédia (a enciclopédia livre), corroborando com a Free Software Foundation[2], Software Livre:
[...] é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado e redistribuído com algumas restrições. A liberdade de tais diretrizes é central ao conceito, o qual se opõe ao conceito de software proprietário, mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.
Para se enquadrar como “livre”, o software precisa atender aos quatro tipos de liberdade definidos pela Free Software Foundation, quais sejam:
· A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)
· A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
· A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).
· A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade. (CAMPOS, 2006)
Tais liberdades foram estabelecidas pela Free Software Foundation com o objetivo manter a liberdade de uso, estudo, redistribuição e aperfeiçoamento dos softwares caracterizados como livres, permitindo assim que os programas criados a partir destes continuem a manter as mesmas características, uma vez que este é um dos requisitos para a sua utilização e desenvolvimento.
Trabalho Colaborativo no desenvolvimento de Software Livre
O grande diferencial do Software Livre é que o mesmo não é desenvolvido por um único programador ou uma única empresa, o que acontece com o software proprietário. Sendo assim, o programa livre não tem um único dono, já que é desenvolvido por várias pessoas.
O Software livre surgiu por volta de 1983, quando Stallman, revoltado com os softwares proprietários, resolveu criar o GNU, um programa desenvolvido a partir do Unix (software proprietário com código aberto).
Já em 1992, o finlandês Linus Torvalds, utilizando o GCC, um compilador criado por Stallman, disponibilizou a primeira versão do Linux para que este fosse aprimorado por seus amigos, de forma colaborativa. Contudo essa forma trabalho não se restringiu aos amigos de Torvalds.
Com a propagação da internet, a proposta de Torvalds tomou proporções maiores, alcançando inclusive outros países. Assim, através do trabalho colaborativo, o Linux foi sendo aperfeiçoado e distribuído em todo o mundo, sempre seguindo o princípio das quatro liberdades.
Okano (2007) destaca que “é importante lembrar que todos os esforços e trabalhos colaborativos realizados nos projetos de Softwares Livres não são remunerados e são realizados voluntariamente pelos colaboradores”. Dessa maneira, podemos ver quanto o trabalho colaborativo pode ser importante no desenvolvimento das mais diversas atividades.
Softwares Livres desenvolvidos colaborativamente
Muitos são os projetos de desenvolvimento e manutenção de softwares livres em todo mundo, mantidos por comunidades de desenvolvedores de forma colaborativa. Podemos citar o projeto Debian, que é um sistema operacional livre, que utiliza o núcleo de um sistema operacional Linux, sendo que a maior parte das ferramentas vem do projeto GNU. O Debian GNU/Linux, como é chamado, vem com 18.733 pacotes[3]. Outro projeto importante é o OpenOffice, este foi criado com o intuito de fornecer editor de textos, planilha eletrônica, visualizador de imagens, etc.
No Brasil temos também dois bons exemplos de programas livres. São eles o Kurumin Linux, desenvolvido pelo programador Carlos Eduardo Morimoto, o qual é totalmente brasileiro, e o Linux Educacional, desenvolvido pelo Centro de Experimentação
O Linux Educacional se encontra na sua versão 3.0, baseado no Kubuntu[4] 8.04, é uma solução de software que colabora para o cumprimento dos objetivos do Proinfo[5], o qual busca favorecer o usuário final – professores e responsáveis por laboratórios de informática – no que se refere ao uso e acessibilidade de aplicativos educacionais personalizados.
Este sistema operacional traz consigo vários aplicativos voltados, principalmente para escolas, mas que também podem ser utilizados em ambientes domésticos. Além de programas multimídia e suíte de escritório, traz também vários aplicativos educacionais, tais como: tabela periódica dos elementos, treinamento em geografia, estudo de formas verbais em espanhol, desenho de funções matemáticas, exercícios com frações e porcentagens, editor de teste e exames, tutor de digitação, dentre outros.
Considerações finais
Podemos ver, através deste estudo, que o trabalho colaborativo é de suma importância para o desenvolvimento, em grupo, de qualquer produto. Este tipo de trabalho depende da participação de várias pessoas, sendo que, cada um faz a sua parte, mas, essas partes são dependentes uma das outras e fundamentais para o alcance de um objetivo final seja ele o desenvolvimento de um software ou a construção do conhecimento.
Referências Bibliográficas
ALVES, Lynn; JAPIASSU, Ricardo e; HETKOWSKI, Tânia Maria. A co-laboração de/em programas livres. Disponível em: http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/colaborativo/06.htm. Acessado em: 29/09/2009.
ARAGÃO, Cláudia. Trabalho Colaborativo na web. Salvador: UNEB/EAD, 2009.
CAMPOS, Augusto. O que é software livre. BR-Linux. Florianópolis, março de 2006. Disponível em http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre. Acessado em 18/10/2009.
OKANO, Marcelo. Software Livre: Uma lição de trabalho colaborativo, agosto de 2007. Disponível em: http://www.timaster.com.br/revista/artigos/main_artigo.asp?codigo=1290. Acessado em: 29/09/2009.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Inclusão Digital, Software Livre e Globalização Contra-Hegemônica. Disponível em: http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02/. Acessado em: 20/10/2009.
Software Livre. Disponível em: http://codinomebeijaflor1.blogspot.com/2009/05/software-livre.html. Acessado em: 19/10/2009
Software Livre X Software Proprietário. Disponível em: http://ceicinha.wordpress.com/2009/04/14/software-proprietario-x-software-livre/. Acessado em 19/10/2009.
Tipos de Software. Disponível em: http://webyes.com.br/2005/04/10/tipos-de-software/. Acessado em: 19/10/2009
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Linux Educacional. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux_Educacional. Acessado em: 18/10/2009.
__________, a enciclopédia livre. Software Livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux_Educacional. Acessado em: 18/10/2009.
[1] Um software proprietário/comercial é distribuído sem seu código fonte. É normalmente comercializado sob termos de uma licença de uso. Essa licença define uma série de termos os quais o usuário deve respeitar para estar habilitado a usar o software. Porque o código fonte não está acessível, é tecnicamente impossível modificar o software.
[2] Fundação criada pelo programador Richard Stallman, em outubro de 1985, com o intuito de difundir os ideais de Software Livre.
[3] Conjunto de informações e/ou pequenos programas incorporados ou vinculados a programas maiores.
[4] Programa livre baseado no Debian GNU/Linux.
[5] Programa Nacional de Informática na Educação
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