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quinta-feira, 11 de março de 2010

Co-laboração em Software Livre


Adagilson Silva Sena
Alcione Costa da Silva
Humberto Oliveira Ribeiro

Na sociedade contemporânea temos visto um crescimento acelerado do que chamamos de “software livre”. Este tipo de programa tem chamado a atenção dos usuários e amantes das tecnologias da informação e comunicação (TIC) pelo fato de serem mais seguros, mais estáveis e mais baratos.

O Governo Federal, bem como muitos governos estaduais e municipais, já estão migrando seus sistemas de software proprietário[1] para software livre, o que também tem alcançado a área educacional. Mas, afinal, o que é software livre?

Conceito de Software Livre

Segundo a Wikipédia (a enciclopédia livre), corroborando com a Free Software Foundation[2], Software Livre:

[...] é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado e redistribuído com algumas restrições. A liberdade de tais diretrizes é central ao conceito, o qual se opõe ao conceito de software proprietário, mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.

Para se enquadrar como “livre”, o software precisa atender aos quatro tipos de liberdade definidos pela Free Software Foundation, quais sejam:

· A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)

· A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

· A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).

· A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade. (CAMPOS, 2006)

Tais liberdades foram estabelecidas pela Free Software Foundation com o objetivo manter a liberdade de uso, estudo, redistribuição e aperfeiçoamento dos softwares caracterizados como livres, permitindo assim que os programas criados a partir destes continuem a manter as mesmas características, uma vez que este é um dos requisitos para a sua utilização e desenvolvimento.

Trabalho Colaborativo no desenvolvimento de Software Livre

O grande diferencial do Software Livre é que o mesmo não é desenvolvido por um único programador ou uma única empresa, o que acontece com o software proprietário. Sendo assim, o programa livre não tem um único dono, já que é desenvolvido por várias pessoas.

O Software livre surgiu por volta de 1983, quando Stallman, revoltado com os softwares proprietários, resolveu criar o GNU, um programa desenvolvido a partir do Unix (software proprietário com código aberto).

Já em 1992, o finlandês Linus Torvalds, utilizando o GCC, um compilador criado por Stallman, disponibilizou a primeira versão do Linux para que este fosse aprimorado por seus amigos, de forma colaborativa. Contudo essa forma trabalho não se restringiu aos amigos de Torvalds.

Com a propagação da internet, a proposta de Torvalds tomou proporções maiores, alcançando inclusive outros países. Assim, através do trabalho colaborativo, o Linux foi sendo aperfeiçoado e distribuído em todo o mundo, sempre seguindo o princípio das quatro liberdades.

Okano (2007) destaca que “é importante lembrar que todos os esforços e trabalhos colaborativos realizados nos projetos de Softwares Livres não são remunerados e são realizados voluntariamente pelos colaboradores”. Dessa maneira, podemos ver quanto o trabalho colaborativo pode ser importante no desenvolvimento das mais diversas atividades.

Softwares Livres desenvolvidos colaborativamente

Muitos são os projetos de desenvolvimento e manutenção de softwares livres em todo mundo, mantidos por comunidades de desenvolvedores de forma colaborativa. Podemos citar o projeto Debian, que é um sistema operacional livre, que utiliza o núcleo de um sistema operacional Linux, sendo que a maior parte das ferramentas vem do projeto GNU. O Debian GNU/Linux, como é chamado, vem com 18.733 pacotes[3]. Outro projeto importante é o OpenOffice, este foi criado com o intuito de fornecer editor de textos, planilha eletrônica, visualizador de imagens, etc.

No Brasil temos também dois bons exemplos de programas livres. São eles o Kurumin Linux, desenvolvido pelo programador Carlos Eduardo Morimoto, o qual é totalmente brasileiro, e o Linux Educacional, desenvolvido pelo Centro de Experimentação em Tecnologia Educacional (CETE) do Ministério da Educação (MEC), que, como o próprio nome diz é voltado para a área educacional.

O Linux Educacional se encontra na sua versão 3.0, baseado no Kubuntu[4] 8.04, é uma solução de software que colabora para o cumprimento dos objetivos do Proinfo[5], o qual busca favorecer o usuário final – professores e responsáveis por laboratórios de informática – no que se refere ao uso e acessibilidade de aplicativos educacionais personalizados.

Este sistema operacional traz consigo vários aplicativos voltados, principalmente para escolas, mas que também podem ser utilizados em ambientes domésticos. Além de programas multimídia e suíte de escritório, traz também vários aplicativos educacionais, tais como: tabela periódica dos elementos, treinamento em geografia, estudo de formas verbais em espanhol, desenho de funções matemáticas, exercícios com frações e porcentagens, editor de teste e exames, tutor de digitação, dentre outros.

Considerações finais

Podemos ver, através deste estudo, que o trabalho colaborativo é de suma importância para o desenvolvimento, em grupo, de qualquer produto. Este tipo de trabalho depende da participação de várias pessoas, sendo que, cada um faz a sua parte, mas, essas partes são dependentes uma das outras e fundamentais para o alcance de um objetivo final seja ele o desenvolvimento de um software ou a construção do conhecimento.

Referências Bibliográficas

ALVES, Lynn; JAPIASSU, Ricardo e; HETKOWSKI, Tânia Maria. A co-laboração de/em programas livres. Disponível em: http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/colaborativo/06.htm. Acessado em: 29/09/2009.

ARAGÃO, Cláudia. Trabalho Colaborativo na web. Salvador: UNEB/EAD, 2009.

CAMPOS, Augusto. O que é software livre. BR-Linux. Florianópolis, março de 2006. Disponível em http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre. Acessado em 18/10/2009.

OKANO, Marcelo. Software Livre: Uma lição de trabalho colaborativo, agosto de 2007. Disponível em: http://www.timaster.com.br/revista/artigos/main_artigo.asp?codigo=1290. Acessado em: 29/09/2009.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Inclusão Digital, Software Livre e Globalização Contra-Hegemônica. Disponível em: http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02/. Acessado em: 20/10/2009.

Software Livre. Disponível em: http://codinomebeijaflor1.blogspot.com/2009/05/software-livre.html. Acessado em: 19/10/2009

Software Livre X Software Proprietário. Disponível em: http://ceicinha.wordpress.com/2009/04/14/software-proprietario-x-software-livre/. Acessado em 19/10/2009.

Tipos de Software. Disponível em: http://webyes.com.br/2005/04/10/tipos-de-software/. Acessado em: 19/10/2009

WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Linux Educacional. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux_Educacional. Acessado em: 18/10/2009.

__________, a enciclopédia livre. Software Livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux_Educacional. Acessado em: 18/10/2009.



[1] Um software proprietário/comercial é distribuído sem seu código fonte. É normalmente comercializado sob termos de uma licença de uso. Essa licença define uma série de termos os quais o usuário deve respeitar para estar habilitado a usar o software. Porque o código fonte não está acessível, é tecnicamente impossível modificar o software.

[2] Fundação criada pelo programador Richard Stallman, em outubro de 1985, com o intuito de difundir os ideais de Software Livre.

[3] Conjunto de informações e/ou pequenos programas incorporados ou vinculados a programas maiores.

[4] Programa livre baseado no Debian GNU/Linux.

[5] Programa Nacional de Informática na Educação

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