A criação deste Blog tem como principal objetivo se tornar uma ferramenta de pesquisa colaborativa, a fim de que o processo de construção do conhecimento ocorra de forma interativa entre seus participantes (visitantes).

sexta-feira, 12 de março de 2010

Comunidades Virtuais de Aprendizagem

Adagilson

Durante a graduação percebi, principalmente nas disciplinas de Didática, Metodologia e Estágio Supervisionado e Evolução da Matemática II, em debates na sala de aula, algumas inquietações de colegas quando o assunto a ser discutido era Educação à Distância. Havia, certamente, um preconceito com o novo modelo de Ensino, inclusive como Ensino Superior, porém a falta de informação contribuiu para a afirmação do preconceito a EaD.
A inserção desse modelo de ensino que utiliza recursos tecnológicos não agrada a todos, até porque existem casos, a maioria, que são instituições privadas que oferecem o ensino na modalidade à distância, e recebem os valores altíssimos do investimento público, recursos que deveriam ir para as instituições educacionais públicas. Ao mesmo tempo possibilitam inserção e participação de parte da sociedade classe média e alta, e exclusão continuada das classes mais pobres da sociedade. É preciso analisar os componentes curriculares dos programas e saber quais tipos de acompanhamentos pedagógicos são utilizados na aprendizagem dos alunos-futuros profissionais na Educação, na Saúde, nas Ciências Humanas, etc.
Os meios de comunicação utilizados como mediadores, o tipo de relação, a interatividade são aspectos que caracterizam um modelo comunicacional de educação à distância. Há uma preocupação com o uso das novas tecnologias, numa perspectiva de mediação pedagógica, que pode ser o modo como o conteúdo ou tema é apresentado, de forma que permita a produção de conhecimentos.
As tecnologias possuem relação direta com os valores social, cultural e histórico. E ainda mais, quando define-se a sociedade atual como “sociedade da informação”, devemos sair da idéia que a tecnologia se restringe aos novos usos de equipamentos e produtos eletrônicos para a apresentação dos conteúdos a serem apresentados. A partir disso é preciso a criação de uma lógica comunicacional interativa, capaz de dinamizar a educação, fazer com que tenhamos indivíduos formadores de opinião. Através da integração de um conjunto de ferramentas informatizadas, tornou-se possível a automação e comunicação dos processos de negócios, da pesquisa científica e também dos processos de ensino e aprendizagem, ampliando as possibilidades entre o real e virtual.
Em tempo real, é favorecida a construção de coletivos inteligentes, proporcionando uma efetiva disseminação, e ao mesmo momento a agilidade nas trocas de informações, estas sempre sendo atualizadas.
As comunidades virtuais de aprendizagem surgiram da interação e o convívio em redes de computadores, surgindo com total desprezo ao tempo e espaço, agindo rápido através do seu potencial de interatividade, o que vem inclusive a contemplar a necessidade do desenvolvimento crítico, da expressividade, da criatividade e capacidade de trabalho em grupo, esta última mesmo, vem sempre proporcionando o desenvolvimento nas relações sociais.
Mas mesmo assim, a EaD ainda enfrenta desafios e preconceitos, apesar de não ser uma modalidade nova no Brasil. Passa por isso também devido ao seu próprio avanço na utilização cada vez mais constante. E o que parece é que a EaD tem superado as dificuldades, e veio para ficar.

REFERÊNCIAS

SOUSA, Jesus Maria; FINO, Carlos Nogueira. As TIC abrindo caminho a um novo paradigma educacional. Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Madeira Funchal, Portugal.
SILVA, Simone C. P. da; Integração Social da Tecnologia: Uma esfera da educação. Educação para a Integração.
Comunidades Virtuais de Aprendizagem / organizado por Cláudia Aragão et al. – Salvador: Empresa Gráfica da Bahia, 2009.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Co-laboração em Software Livre


Adagilson Silva Sena
Alcione Costa da Silva
Humberto Oliveira Ribeiro

Na sociedade contemporânea temos visto um crescimento acelerado do que chamamos de “software livre”. Este tipo de programa tem chamado a atenção dos usuários e amantes das tecnologias da informação e comunicação (TIC) pelo fato de serem mais seguros, mais estáveis e mais baratos.

O Governo Federal, bem como muitos governos estaduais e municipais, já estão migrando seus sistemas de software proprietário[1] para software livre, o que também tem alcançado a área educacional. Mas, afinal, o que é software livre?

Conceito de Software Livre

Segundo a Wikipédia (a enciclopédia livre), corroborando com a Free Software Foundation[2], Software Livre:

[...] é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado e redistribuído com algumas restrições. A liberdade de tais diretrizes é central ao conceito, o qual se opõe ao conceito de software proprietário, mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.

Para se enquadrar como “livre”, o software precisa atender aos quatro tipos de liberdade definidos pela Free Software Foundation, quais sejam:

· A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)

· A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

· A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).

· A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade. (CAMPOS, 2006)

Tais liberdades foram estabelecidas pela Free Software Foundation com o objetivo manter a liberdade de uso, estudo, redistribuição e aperfeiçoamento dos softwares caracterizados como livres, permitindo assim que os programas criados a partir destes continuem a manter as mesmas características, uma vez que este é um dos requisitos para a sua utilização e desenvolvimento.

Trabalho Colaborativo no desenvolvimento de Software Livre

O grande diferencial do Software Livre é que o mesmo não é desenvolvido por um único programador ou uma única empresa, o que acontece com o software proprietário. Sendo assim, o programa livre não tem um único dono, já que é desenvolvido por várias pessoas.

O Software livre surgiu por volta de 1983, quando Stallman, revoltado com os softwares proprietários, resolveu criar o GNU, um programa desenvolvido a partir do Unix (software proprietário com código aberto).

Já em 1992, o finlandês Linus Torvalds, utilizando o GCC, um compilador criado por Stallman, disponibilizou a primeira versão do Linux para que este fosse aprimorado por seus amigos, de forma colaborativa. Contudo essa forma trabalho não se restringiu aos amigos de Torvalds.

Com a propagação da internet, a proposta de Torvalds tomou proporções maiores, alcançando inclusive outros países. Assim, através do trabalho colaborativo, o Linux foi sendo aperfeiçoado e distribuído em todo o mundo, sempre seguindo o princípio das quatro liberdades.

Okano (2007) destaca que “é importante lembrar que todos os esforços e trabalhos colaborativos realizados nos projetos de Softwares Livres não são remunerados e são realizados voluntariamente pelos colaboradores”. Dessa maneira, podemos ver quanto o trabalho colaborativo pode ser importante no desenvolvimento das mais diversas atividades.

Softwares Livres desenvolvidos colaborativamente

Muitos são os projetos de desenvolvimento e manutenção de softwares livres em todo mundo, mantidos por comunidades de desenvolvedores de forma colaborativa. Podemos citar o projeto Debian, que é um sistema operacional livre, que utiliza o núcleo de um sistema operacional Linux, sendo que a maior parte das ferramentas vem do projeto GNU. O Debian GNU/Linux, como é chamado, vem com 18.733 pacotes[3]. Outro projeto importante é o OpenOffice, este foi criado com o intuito de fornecer editor de textos, planilha eletrônica, visualizador de imagens, etc.

No Brasil temos também dois bons exemplos de programas livres. São eles o Kurumin Linux, desenvolvido pelo programador Carlos Eduardo Morimoto, o qual é totalmente brasileiro, e o Linux Educacional, desenvolvido pelo Centro de Experimentação em Tecnologia Educacional (CETE) do Ministério da Educação (MEC), que, como o próprio nome diz é voltado para a área educacional.

O Linux Educacional se encontra na sua versão 3.0, baseado no Kubuntu[4] 8.04, é uma solução de software que colabora para o cumprimento dos objetivos do Proinfo[5], o qual busca favorecer o usuário final – professores e responsáveis por laboratórios de informática – no que se refere ao uso e acessibilidade de aplicativos educacionais personalizados.

Este sistema operacional traz consigo vários aplicativos voltados, principalmente para escolas, mas que também podem ser utilizados em ambientes domésticos. Além de programas multimídia e suíte de escritório, traz também vários aplicativos educacionais, tais como: tabela periódica dos elementos, treinamento em geografia, estudo de formas verbais em espanhol, desenho de funções matemáticas, exercícios com frações e porcentagens, editor de teste e exames, tutor de digitação, dentre outros.

Considerações finais

Podemos ver, através deste estudo, que o trabalho colaborativo é de suma importância para o desenvolvimento, em grupo, de qualquer produto. Este tipo de trabalho depende da participação de várias pessoas, sendo que, cada um faz a sua parte, mas, essas partes são dependentes uma das outras e fundamentais para o alcance de um objetivo final seja ele o desenvolvimento de um software ou a construção do conhecimento.

Referências Bibliográficas

ALVES, Lynn; JAPIASSU, Ricardo e; HETKOWSKI, Tânia Maria. A co-laboração de/em programas livres. Disponível em: http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/colaborativo/06.htm. Acessado em: 29/09/2009.

ARAGÃO, Cláudia. Trabalho Colaborativo na web. Salvador: UNEB/EAD, 2009.

CAMPOS, Augusto. O que é software livre. BR-Linux. Florianópolis, março de 2006. Disponível em http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre. Acessado em 18/10/2009.

OKANO, Marcelo. Software Livre: Uma lição de trabalho colaborativo, agosto de 2007. Disponível em: http://www.timaster.com.br/revista/artigos/main_artigo.asp?codigo=1290. Acessado em: 29/09/2009.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Inclusão Digital, Software Livre e Globalização Contra-Hegemônica. Disponível em: http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02/. Acessado em: 20/10/2009.

Software Livre. Disponível em: http://codinomebeijaflor1.blogspot.com/2009/05/software-livre.html. Acessado em: 19/10/2009

Software Livre X Software Proprietário. Disponível em: http://ceicinha.wordpress.com/2009/04/14/software-proprietario-x-software-livre/. Acessado em 19/10/2009.

Tipos de Software. Disponível em: http://webyes.com.br/2005/04/10/tipos-de-software/. Acessado em: 19/10/2009

WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Linux Educacional. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux_Educacional. Acessado em: 18/10/2009.

__________, a enciclopédia livre. Software Livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux_Educacional. Acessado em: 18/10/2009.



[1] Um software proprietário/comercial é distribuído sem seu código fonte. É normalmente comercializado sob termos de uma licença de uso. Essa licença define uma série de termos os quais o usuário deve respeitar para estar habilitado a usar o software. Porque o código fonte não está acessível, é tecnicamente impossível modificar o software.

[2] Fundação criada pelo programador Richard Stallman, em outubro de 1985, com o intuito de difundir os ideais de Software Livre.

[3] Conjunto de informações e/ou pequenos programas incorporados ou vinculados a programas maiores.

[4] Programa livre baseado no Debian GNU/Linux.

[5] Programa Nacional de Informática na Educação

terça-feira, 9 de março de 2010

As novas tecnologias, a sociedade contemporânea e a educação.


Alcione Silva


Os avanços tecnológicos dos últimos trinta anos com o surgimento do microcomputador e depois com a internet provocaram mudanças espantosas à sociedade. A cada dia surge uma novidade que nos impressiona. A informação ocorre de forma instantânea, seja através do rádio, televisão ou internet.

A internet tem sido o meio mais fascinante de informação e comunicação. As informações disponíveis na internet são das mais diversas e infinitas. Podem-se encontrar informações abrangendo todos os aspectos da vida, tais como: economia local e global, esportes, religiões, educação, culturas das mais longínquas possíveis. Junto com essas informações uma quantidade impressionante de imagens seja em fotografias ou vídeos atraem a todos que acessam a grande rede.

A comunicação pode acontecer através de e-mail, fórum, (assíncrona) ou através de videoconferência, salas de bate papo, MSN com ou sem som e imagem (síncrona). Onde é possível a comunicação com varias pessoas de diversos locais no mundo, tudo de forma instantânea.

Com isso surgiu a necessidade de se criar locais onde as pessoas pudessem se encontrar virtualmente para discutirem idéias, trocarem experiências e conhecimentos, compartilharem suas angustias, buscarem respostas ainda não encontradas, ou seja, um lugar não existente, geograficamente, mas, onde muitos poderiam se encontrar, daí surgiram as comunidades virtuais.

O ingresso numa comunidade virtual, geralmente, parte do interesse pelas características dos assuntos tratados naquela comunidade. Se no dia a dia gosto de futebol e quero discutir, comentar, saber das resenhas e quase tudo que acontece no meio, procuro uma comunidade virtual que tenha como tema o futebol.

A comunidade virtual é uma ferramenta que pode ser explorada para o beneficio da educação. A formação de grupos de alunos para ingressarem numa comunidade virtual de aprendizagem, trará para eles a oportunidade de construírem seus conhecimentos ajudando-os na formação pró-ativa. Como exemplo, pensemos numa turma de alunos do interior da Bahia compartilhando suas experiências e conhecimentos com outros alunos de grandes cidades e de outros estados, ou até países, através destas comunidades, eles irão perceber as grandes diferenças culturais, comportamentais, religiosas, econômicas, dentre várias trocas de conhecimentos possíveis neste tipo de comunicação.

Entretanto,

Não se pode porém supor que as comunidades virtuais sejam agregações redentoras, que venham trazer soluções para os problemas do mundo contemporâneo. Como qualquer outra comunidade, as virtuais apresentam qualidades e problemas. A tão propalada liberdade na Internet pode ser tanto positiva quanto negativa. Pode proporcionar amizades duradouras, tolerância e até amor. Por outro lado, há também ódio, violência, culpa, pornografia e vergonha. (PRIMO, 1997)

Ingressamos então, na era digital ou a era da informação. Com isso somos praticamente obrigados a fazermos parte desta rede ou seremos parte dos excluídos como afirma Siqueira (2004), “penso que se estar-em-rede associa-se à existência social, política e econômica assim como à riqueza, o não-estar-em-rede associa-se à antigas e novas formas de exclusão, de miséria e de violência”.

Hoje para fazermos parte na sociedade contemporânea, temos que estar envolvidos com as novas tecnologias da informação e comunicação. Mas, não tem sido fácil, ainda, para uma grande parte da sociedade, lidar com os avanços das tecnologias. Percebemos isto quando estamos numa fila de um caixa eletrônico, as pessoas sentem dificuldades num simples saque de dinheiro. O que dizer de professores que não têm acesso a micro-computadores em suas escolas, para não dizer dos alunos, quando muitos deles nunca tiveram acesso à internet.

A nossa sociedade ainda não tem acesso as tecnologias de forma democrática. Uma das barreiras é o alto custo para adquirir um micro-computador, ou quando tem o micro, não tem a condição para contratar um provedor de internet, pelo menos é o que acontece nas pequenas cidades.

É patente as transformações que as novas tecnologias impuseram na nossa sociedade, e na educação não é diferente. O professor tem aprendido o seu novo papel em sala de aula, pois segundo Levy (1999), “o docente vê-se chamado a tornar-se um animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos, em vez de um dispensador direto de conhecimentos.” O professor já não é mais o centro, ao contrário do que se pensava no passado hoje ele não é uma “torneira” enchendo garrafas vazias. Não se tem mais aquela idéia de detentor do conhecimento, pois o acesso ao conhecimento quase sempre está ao alcance de todos, precisando apenas de um mediador.

Mesmo porque

O ser humano tem a capacidade de se adaptar e como tal, as pessoas devem desenvolver uma atitude flexível, com conhecimentos generalistas, capazes de se formarem ao longo da vida de acordo com as suas necessidades e que dominem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). A sociedade exige da escola pessoas com uma formação ampla, especializada, com um espírito empreendedor e criativo, com o domínio de uma ou várias línguas estrangeiras, com grandes capacidades de resolução de problemas.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_da_informa%C3%A7%C3%A3o#Sociedade_da_Informa.C3.A7.C3.A3o

A escola precisa e deve utilizar das novas tecnologias. É preciso atrair o aluno com novidades que auxiliem no aprendizado e sairmos daquelas aulas chatas, que muitas vezes não tem a mínima atração. A educação não pode ficar estagnada no tempo, precisa acompanhar as tecnologias da sociedade contemporânea. Desde que seja utilizada de forma inteligente e eficiente. Não apenas o computador, mas os meios de comunicação como jornal, a televisão e o rádio e também equipamentos como data-show.

Há ainda muito que mudar na educação brasileira, principalmente nas pequenas cidades, quando muitas escolas estão abandonadas pelos poderes públicos. Falta investimento em remuneração dos professores, desde a educação infantil até a formação de nível médio, estrutura física das escolas, material didático, equipamentos eletrônicos, enfim tudo que uma escola precisa para que os alunos possam ter uma educação de qualidade e que acompanhe as novidades tecnológicas do século XXI.

Certamente que investimentos em tecnologias nas escolas não resolverão todos os problemas da educação brasileira, mas dará um grande passo para termos um ensino de qualidade. Por isso não se pode mais aceitar que escolas, principalmente do ensino médio, não tenham laboratórios de informática com acesso a internet, e professores/mediadores preparados para utilizarem a grande rede de forma sábia e proveitosa, pois assim haverá mais possibilidades de termos alunos mais preparados para enfrentarem as exigências que o mundo contemporâneo tanto tem exigido.


REFERÊNCIAS

LÉVY, Pierre. Educação e Cibercultura. A nova relação com o saber. Disponível em http://caosmose.net/pierrelevy/educaecyber.html, acesso em 30 abr 2009.

PRIMO, Alex Fernando Teixeira. A emergência das comunidades virtuais. In: Intercom 1997 - XX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 1997, Santos. Anais… Santos, 1997. Disponível em:.

Sociedade da Informação. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_da _informa %C3%A7%C3%A3o#Sociedade_da_Informa.C3.A7.C3.A3o, acesso em 30 abr 2009

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

As implicações dos avanços tecnológicos para a educação


Humberto Oliveira Ribeiro

A sociedade contemporânea está fortemente marcada pelo processo de globalização e impactada pela presença das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Nessa conjuntura, as várias formas de organização social expressam algum tipo de relação com os recursos tecnológicos, podendo-se perceber os impactos causados por estes recursos no próprio sistema educacional, o qual também é impelido pelas tecnologias e pelos avanços que elas proporcionam.

Devemos então refletir sobre o impacto das tecnologias na sociedade contemporânea, especialmente no contexto educacional, por se entender que a educação também está sujeita às mudanças vivenciadas pela sociedade e seus avanços tecnológicos.

Faz-se importante não termos uma visão negativista ou ameaçadora do avanço tecnológico, tampouco devemos pensar nas “novas tecnologias” como algo realmente “novo”, considerando que se torna cada vez mais difícil classificar, na área tecnológica, o que verdadeiramente é “novo” ou “velho”, pela velocidade com que esses recursos evoluem.

Também não se pode negar que o contexto educacional já vem recebendo as influências desses avanços tecnológicos já há algum tempo, com a presença e o uso de recursos como o computador para a aquisição e produção de textos e hipertextos através da internet.

Compreender que o processo educacional não está desassociado do processo social é entender que dominar os conhecimentos e recursos tecnológicos é também saber se posicionar de maneira crítica diante de todo o conhecimento produzido pelo ser humano.

Atualmente, é bem significativa a presença das TIC no dia-a-dia das pessoas. A difusão de aparelhos como televisão, rádio, telefone e DVD alcançam todas as camadas sociais. Mesmo o computador já atinge um significativo percentual das famílias brasileiras. Já se torna impossível negar as transformações que a sociedade tem sofrido em decorrência dos avanços tecnológicos.

O sistema educacional também não pode negar essas modificações. Mas a inserção dos recursos tecnológicos na educação acontece, principalmente, pela expansão dos mercados consumidores, bem como pela necessidade dos alunos que convivem com esses recursos.

Em uma sociedade com forte influência da globalização não é concebível pensar uma educação moldada por uma sociedade tradicional. É imprescindível nos conscientizarmos de que as mudanças sociais ocorridas atingem também o papel da escola e do professor, exigindo mudanças dos mesmos. Faz-se necessária, então, uma nova escola, adequada às novas demandas da sociedade e seus indivíduos.

Para tanto, precisa-se de novas modalidades de ensino, pois, como afirma Aragão (2009):

Os avanços das tecnologias da informação e comunicação denominadas neste contexto de contemporâneas vêm possibilitando novas compreensões sobre as possibilidades de ensinar e aprender, baseadas em recursos que ligam, conectam e produzem relações entre os sujeitos.

Essa postura reflete o que se busca hoje em vários cursos superiores. Não é mais possível se manter alheio às discussões referentes aos avanços tecnológicos e o envolvimento destes com os mais diversos ambientes e, “(...) Nesse sentido, a Educação a Distância (EaD) vem se tornando uma discussão fundamental para se refletir a educação numa sociedade cada vez mais interconectada por redes tecnológicas” (Aragão, 2009).

O saber tecnológico e suas produções vêm tecendo a vida cotidiana dos indivíduos que buscam uma evolução profissional e vivenciam hoje as influências dos avanços tecnológicos. O desenvolvimento intenso e frenético das TIC, aliado à necessidade de qualificação de mão-de-obra, nos leva a uma reflexão profunda em relação ao redimensionamento do papel da educação na sociedade atual, nos levando a discutir os reflexos que as TIC produzem na educação como instituição formal de transmissão do conhecimento.

Com o crescente número de cursos superiores no Brasil, “A EaD vem sendo desenvolvida para atender a demandas diversificadas da agenda no novo espaço/tempo” (Aragão 2009). Sendo este,

(...) o principal desafio e trunfo para a expansão da EaD, entendida como um processo educativo que envolve dierentes meios de comunicação capazes de ultrapassar os limites de tempo e espaço e permitir a interação dos sujeitos com as diversas fontes de informação. (Aragão, 2009)

Situação em que,

(...) o aluno deixa de ser um receptor passivo e se torna responsável por sua aprendizagem, com direito a trabalhar num ritmo individualizado, sem perder, no entanto, a possibilidade de interagir com seus pares e com o professor. Este deixa de ser o dono do saber e o controlador da aprendizagem, para ser um orientador que estimula a curiosidade, o debate e a interação com os participantes do processo. (idem)

Assim, a EaD tem se tornado uma modalidade de educação revestida de potencialidades, por se caracterizar como um processo de mediação do ensino e da aprendizagem que se utiliza dos meios tecnológicos de comunicação e informação para permitir a estudantes e professores o desenvolvimento de atividades educativas em lugares e tempos diferentes, conforme o Art. 1° do Decreto n° 5.622/2005.

Mas este é ainda um conceito amplo acerca da educação à distância, uma vez que esta englobar os cursos por correspondência e, segundo Moran (apud Aragão, 2009) “pode-se definir educação online como o conjunto de ações de ensino/aprendizagem desenvolvidas por meios telemáticos, como a internet, a videoconferência e a teleconferência”.

A educação online é possível graças aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), que utilizam as comunidades virtuais para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem na internet, através de ferramentas como fóruns, blogs, chats e correios eletrônicos (e-mails), dentre outras.

Sendo assim, vemos hoje uma “mercantilização” dos cursos superiores à distância que utilizam, principalmente, a educação online, através dos AVA, disponibilizados na Internet, para atenderem e atingirem um número crescente de indivíduos que, por uma exigência do mercado de trabalho e dos avanços tecnológicos, buscam a EaD para alcançar a almejada qualificação profissional.

Referências Bibliográficas

ARAGÃO, Claudia et al. Comunidades Virtuais de Aprendizagem. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia, 2009.

KENSKI, Vani Moreira. Das salas de aula aos ambientes virtuais de Aprendizagem. In: http://www.unebead.adm.br/moodlecv/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=82

PRIMO, Alex Fernando Teixeira. A emergência das comunidades virtuais. In: http://www.unebead.adm.br/moodlecv/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=77

SEVERIANO, Alan. Cresce o número de curso superior a distância. In: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1103600-10406,00-CRESCE+O+NUMERO+DE+CURSO+SUPERIOR+A+DISTANCIA.html

SILVA, Marta Enéas da. Os cursos de licenciatura em matemática ante o impacto dos avanços tecnológicos :o caso da UNEB (Dissertação de Mestrado). Senhor do Bonfim, Brasil: Universidade do Estado da Bahia, 2004.

SIQUEIRA, Holgonsi Soares Gonçalves. SOCIEDADE EM REDE: conexões e desconexões. In: http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/sociedaderede.html